terça-feira, 15 de abril de 2014

Espanholismos e Italianismos

O português importou muitas palavras do espanhol, não só porque a Espanha era o país mais próximo, mas também porque, de 1580 a 1640, Portugal foi território espanhol, sob o governo da monarquia hispânica. Naquela época, o espanhol foi a segunda língua do povo e chegou a ser a primeira dos nobres portugueses. Vejamos algumas palavras invasoras.

Cedilha
Em espanhol, a letra “z” é chamada de zeta ou zeda e tem o som de “ss”. Seu diminutivo em espanhol é cedilla, um pequeno “z”. No português arcaico, a letra “z” era usada entre o “c” e a vogal seguinte para que o “c” fosse lido com o som “ts”, em vez de “k” — cacza (caça), moczo (moço). Como na prática o encontro “cz” não pegou, passou-se a pôr um pequeno “z” embaixo da letra “c”. Depois esse pequeno “z” (cedilla em espanhol) se transformou num ganchinho.

Galápagos
As ilhas Galápagos, hoje uma província do Equador, foram encontradas em 1535 pelo bispo espanhol Tomás de Berlanga. O arquipélago é famoso por sua fauna, principalmente pela variedade de galápagos, que são tartarugas de água doce. Galápago é cágado em espanhol.

Joanete
Veio do espanhol juanete, que é uma saliência no dedão do pé e que veio de Juanete, diminutivo de Juan, aí usado com menosprezo como nome de pessoa rude e pobre, gente que tem joanete.

Puxa!
Veio da exclamação espanhola pucha! Em espanhol se xinga alguém de hijo de pucha. É isso, pucha é a suavização de um palavrão. Os espanhóis trocaram o “t” por “ch”.

Raposa
Veio do espanhol raposa, que teria se originado do espanhol antigo rabosa, em referência ao grande e peludo rabo do animal.

Das línguas neolatinas, o italiano é a que mais ficou parecida com a mãe, o latim. Vejamos algumas contribuições curiosas do italiano para o nosso vocabulário.

Bisteca
Veio do italiano bistecca. O inglês beef (origem de bife) significa: (a) boi, vaca ou touro criado para servir de alimento e (b) a carne desses animais. A palavra inglesa proveio do francês boeuf (boi, carne bovina), que, por sua vez, veio do latim bove (boi, vaca). Roast (assado) beef deu no português rosbife. E beef steak (fatia de carne bovina frita ou grelhada) originou o português bifesteque, que caiu em desuso, e o italiano bistecca.

Espaguete
Veio do italiano spaghetti, barbantinhos. Spaguetti é o plural de spaghetto, que é o diminutivo de spago, barbante.

Esparadrapo
Do italiano sparadrappo, palavra formada de spare (rasgue) + drappo (o pano), já que antigamente se usavam panos para proteger as feridas. O italiano drappo veio do latim drappu, que também originou o português trapo.

Expresso
A palavra veio do latim expressu, espremido, comprimido. E o café expresso veio do italiano caffè espresso, que ficou com esse nome não por ficar pronto rapidamente, mas sim por ser feito pela compressão de vapor ou água fervente através de pequeníssimos grãos de café.

Palhaço
Veio do italiano pagliaccio, formado de paglia, palha (do latim palea). Antigamente a roupa do palhaço era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso, listrado. O tecido era afofado para proteger o artista nas quedas, tal como os colchões, que na época eram recheados de palha. Quer dizer, o palhaço era o próprio colchão ambulante.

Serenata
Veio do italiano serenata, que se originou de outra palavra italiana, sereno (orvalho), com a influência de sera (noite). Serenata séria se faz à noite, ao sere




Palavras que vêm do GREGO
O grego foi um dos idiomas que mais influenciaram o latim.

Várias palavras vieram do grego para o português, muitas delas passando antes pelo latim.

Antídoto
Veio do latim antidotu, contraveneno, que se originou do grego antídoton, forma reduzida da expressão phármakon (remédio) antídoton (de anti-, contra + doton, dado), ou seja, remédio dado contra.

Arquipélago
O mar Egeu, que fica entre a Grécia e a Turquia, era chamado pelos gregos de archipélagos. A palavra se formou de archi, principal (arqui-inimigo é o inimigo supremo) + pélagos, mar. A palavra passou a designar o conjunto de ilhas, porque o mar Egeu tinha muitas ilhas.

Bíblia
A forma mais antiga de livro foi um rolo de papiro, usado pelos egípcios, gregos e romanos. Em grego, livro era biblíon. A palavra veio do nome do porto de Byblos, na Fenícia (atualmente Jubayl, no Líbano), porque de lá eram exportadas grandes quantidades de papiro.

O grego biblíon no plural era biblía. A palavra passou para o latim eclesiástico para designar o conjunto de livros sagrados que compõe a bíblia.

Cirurgia
Através do latim chirurgia, veio do grego kheirourgía, que se formou de kheirós (mão) + érgon (obra, trabalho) e significava, além de trabalho manual, operação num paciente.

No grego, kheirós (mão) também aparece em kheiromanteía, origem do português quiromancia (previsão pelas linhas e sinais da mão).

Em português, o elemento -mancia (do grego manteía, adivinhação) aparece em várias palavras:

agromancia: adivinhação pelo aspecto dos campos;
aleuromancia: adivinhação pela farinha de trigo;
anemomancia: adivinhação do futuro pela observação dos ventos;
aritmomancia: adivinhação por meio de números;
cartomancia: adivinhação por cartas de baralho;
datilomancia: adivinhação por meio do exame dos dedos;
nefelomancia: adivinhação pela observação das nuvens;
oniromancia: adivinhação por meio da interpretação dos sonhos;
rabdomancia: adivinhação por meio de varinha mágica;
selenomancia: adivinhação pelos movimentos e posições da Lua;
tiromancia: adivinhação por meio do queijo.

Dinossauro
A palavra foi criada pelo cientista inglês Richard Owen a partir dos elementos gregos deinós (terrível, aterrador) + sauros (lagarto).

Eutanásia
Veio do grego euthanasía, formado de eu- (bom; como em eufonia, bom som) + thánatos (morte; como em tanatofobia, que é o medo doentio de morrer). Quer dizer, eutanásia se formou significando boa morte.

Heureca
Da interjeição grega heúreka, achei! A palavra ganhou as ruas da Grécia graças ao famoso matemático e inventor Arquimedes, que, depois de mergulhar numa banheira para se banhar, descobriu a lei do peso específico dos corpos, que viria a ser conhecido como o Princípio de Arquimedes. Conta-se que Arquimedes saiu da banheira e foi correndo pelas ruas, nu e gritando: “Heureca! Heureca!”. Algum grego que passava pelo local deve ter comentado: “Esse Arquimedes é maluco mesmo, foi preciso ficar nu para achar o que tinha nascido com ele”.

Histeria
Veio do grego hystéra, útero. Os antigos achavam que a histeria era causada por um desarranjo do útero e, portanto, era coisa de mulher. A crença de que a histeria era um mal feminino se sustentou por muito tempo. No início do século XX, um médico francês definiu a histeria como “uma neurose do aparelho gerador da mulher, repetindo-se por acessos apiréticos (sem febre), e tendo como sinal uma penosa sensação de estrangulamento”.

Os antigos produziram grandes absurdos com seus (des)conhecimentos sobre o corpo humano. Acreditavam que o coração era a sede da emoção e da inteligência. Por isso, várias palavras da língua portuguesa vieram de palavras que se formaram no latim a partir de cor, cordis (coração) como órgão da inteligência e dos sentimentos:

a) cordial, do latim cordialis, relativo ao coração, ganhou o sentido de afável, sincero;
b) concordar, do latim concordare, reunir corações (entendimentos);
c) discordar, do latim discordare, separar corações (entendimentos);
d) acordar (acordo), do latim accordare, conciliar corações (entendimentos);
e) recordar, do latim recordare, trazer de novo ao coração (memória).

Assim também se explicam de cor (o coração como sede da memória) e decorar. De cor em inglês é by heart; em francês, par coeur.

Para os antigos, o fígado era o centro da vida porque purificava o sangue. Daí, na mitologia, o castigo de Prometeu, acorrentado no monte Cáucaso para a tortura eterna: durante o dia, uma águia vinha bicar-lhe o fígado, que, à noite, era refeito. Os antigos também achavam que o fígado era a sede dos humores e dos afetos, o que explica a origem das seguintes expressões:

a) desopilar o fígado (produzir alegria) – “desopilar” significa desobstruir (“opilar” é obstruir);
b) inimigo figadal – inimigo profundo.

Sarcófago
Veio do latim sarchofagu, que se originou do grego sarkophágos, formado de sarkós (carne) + phágos (eu como), ou seja, carnívoro.

O sarkophágos era uma pedra calcária (líthos sarkophágos, pedra carnívora) de que eram feitos os caixões de defuntos. A pedra tinha a propriedade de provocar uma decomposição rápida do cadáver.

Xerox
Veio do grego kserós, seco. Antes da xerografia, os processos fotográficos usavam compostos químicos.



fonte:http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/1.html
postado por: Virlene Isidóro  Velho 

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